O tempo não espera. É feito de gotas.

terça-feira, agosto 24, 2004

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EU finjo ter paciência...

Paciência

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma?
A vida não para
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
Agente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é tempo que lhe falta pra perceber ???
Será que temos esse tempo pra perder???
E quem quer saber?
a vida é tão rara... tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma?
Eu sei, a vida não para
A vida não para não
A vida não para

sábado, agosto 14, 2004

Nem Luís Pereira, nem Beckham

Pronto. O rapaz disse tudo.

Nem Luís Pereira, nem Beckham

Eu já ouvi Cólera. E Os Replicantes, Garotos Podres, Olho Seco. Ouvia por diversão - são bandas divertidas, com músicas divertidas, cheias de energia, bem dançantes. Mas ouvia também como estratégia de diferenciação. Quando você tem 16 anos, não quer nem ser diferente a ponto de não ser aceito pelo grupo nem tão igual a todo mundo a ponto de desaparecer na multidão de uma festa. Sobreviver na adolescência é uma equação complicada.
Na ingenuidade daqueles verdes anos, joguei um verniz punk sobre o meu comportamento docemente provinciano de garoto do interior. Nunca usei coleira pontuda nem cheguei a arrebentar meu cabelo, mas tinha uma camiseta bacana do Dead Kennedys e outra do Circle Jerks. Em nome de ter uma atitude, peguei emprestada uma que não era minha. E ao invés de só poguear e ser feliz, de só rir e fazer rir, acabei adotando também um par de frases fortes, de gestos rígidos, de auto-imposições. Experimentei - felizmente não por muito tempo - a condição de ser um cara rude, afiado, radical. Fiquei chato. Fiquei raso. Afastei gente. Me tornei inconveniente. E, suprema tragédia, não peguei mulher alguma.
Alguns anos mais tarde, na faculdade, escrevi um texto chamado "O Manifesto dos Delicados". (Pausa para a sua merecida gargalhada.) Trata-se de uma dessas bobagens pretensiosas que só comete quem está ardendo na fogueira das vaidades de um curso de comunicação em que todos são ou videomakers visionários ou inspiradíssimos poetas concretistas ou semiólogos ultra-eruditos. Convenci alguns bons amigos a assinar o Manifesto junto comigo. Uma bela sacanagem. E o pendurei na parede do bar. (Uma faculdade de comunicação acontece muito mais no bar do que na sala de aula.) A minha intenção com aquilo era basicamente aparecer mais que os outros, ser aceito, ser amado. E, sobretudo, ganhar a atenção e a admiração das mulheres.
No texto eu clamava por mais delicadeza dos homens em suas relações com as mulheres e denunciava a insinceridade de vários "falsos delicados" que posavam de fãs de Caetano e de Rimbaud mas que eram no fundo uns trogloditas. Entre outras patetices e cagüetagens de igual calibre, o que eu queria mesmo era reclamar publicamente que as mulheres não ficavam comigo, que era um sujeito bacana, gentil, carinhoso, limpinho, super a fim de me apaixonar - e fã genuíno de Caetano e de Rimbaud - para ficar com os caras mais cafajestes da escola. Claro que de novo soei chato, inconveniente. Pretensioso, bobo. E claro que, de novo, não peguei mulher alguma.
Eis as duras penas que me ensinaram que mulher não está interessada nem em um australopiteco que fala em monossílabos guturais, bate a cabeça na parede e nunca troca a cueca, e muito menos em rapazes de fino trato, assépticos, cheios de maneirismos, que não transmitem aquela certeza de que vão às ganhas, com sangue nos olhos, munidos de vontade pétrea e duradoura, para os suados jogos olímpicos de alcova.
Mulher quer um cara que saiba dar uns pegas bacanas, prensar contra a parede, assumir o comando. Mas que depois saiba também dormir juntinho, fazendo cafuné, dizendo coisas bonitas no ouvidinho. Mulher não gosta de homem que faz pose. Seja de brucutu, seja de leitor do Gabeira. (Pose é uma arma feminina, amigo. Não nos pertence.) A sua melhor aposta com a grande maioria delas é ser você mesmo. Seja sincero, divertido, despretensioso. Relaxe e vá à luta. Ao invés de perder tempo com essas definições e gradações um bocado tolas, que vão do macho fedorento ao metrossexual que tira a sobrancelha, preocupe-se em fazê-la rir. Ria junto. Deixe-a perceber a fome que ela lhe causa. Faça falta em sua vida. E, se puder, coloque-a na posição de presa sem se colocar na posição de predador. Xeque-mate.

Adriano Silva é diretor de redação da revista Superinteressante e autor dos livros Homem sem nome; E agora, o que é que eu faço?; Tudo o que eu aprendí sobre o mundo dos negócios.

domingo, agosto 08, 2004

Minhas expectativas?

Expectativas são perigosas, angustiantes, ilusórias. Não me dou ao luxo de tê-las. Fico apenas com meus desejos, processos mais ativos que garantem minha liberdade e principalmente, a minha superação.
Explico: Expectativas limitam. Expectativas consistem em marcos de satisfação que se impõe a determinado processo em andamento. Caso a expectativa seja superada, lucro. Caso não, paciência. Fez-se o melhor, chegou-se no esperado.
Há algo pior que o esperado?

O desejo não. Este consiste em fogo, paixão. Ele não traça metas, não coloca marcos.
Eu teria expectativas caso começasse este texto dizendo que gostaria de possuir uma ótima relação médico-paciente. Ou que espero conhecer toda a técnica necessária à um médico.
Não.
Não me basta.
Desejo que meus primeiros pacientes tenham dias melhores, fiquem melhores e saiam do hospital, melhores pessoas. Desejo que, neste primeiro encontro, ele não esteja sentindo dores incontroláveis. Desejo que ele sorria ao me ver. Desejo nunca sentir ou demonstrar piedade. Desejo fazer a diferença, mesmo sabendo tão pouco. Eu desejo ser feliz e ser útil, desde já, desde sempre.

Simplesmente não posso me contentar com expectativas que me dão a opção de falhar. Eu vou ter uma boa relação médico-paciente e vou conhecer todas as técnicas que o meu estudo e meu intelecto conseguem incorporar. Sem pressões. Sem fazer disso algo penoso. Simples assim: nós não temos a opção de não dar o conforto emocional necessário ou de não nos empenharmos em aprender. E repito que não será difícil. Mais uma vez, o motor que move todas as relações humanas será o responsável pelo nosso sucesso: o amor pela vida e pelo próximo facilitará todos os caminhos.

É tudo uma questão de fé, paixão e persistência.







“Tudo pode acontecer: é só acreditar na vida, acreditar na sorte e tudo pode ser.
Sonho meu, eu posso tudo o que eu sonhar: se eu levar a vida a sério se eu fizer direito e se eu acreditar.”