Depois de sofrer feito o cão por encarar tudo na base do oito ou
oitenta, fiz um pacto comigo mesma: jamais levaria coisa alguma a
ferro e fogo porque nada importa tanto. Absolutamente nada é
imprescindível. Nem ninguém. Esse não é um discurso de
auto-suficiência, pelo contrário, é uma reflexão de alguém que
aprendeu na porrada (ou melhor, no choro) que só revitalizando,
tornando a existência e o coração mais leves, é que se pode ser feliz
e, então, ser feliz com alguém. Pare de arrastar correntes, levar tudo
tão a sério: a única coisa que você vai conseguir é uma úlcera. Cuide
de quem ama mas não faça disso o objetivo da sua vida porque ficará,
inevitavelmente, frustrado quando não tiver deles o que deu pra eles.
Ou não tiver deles o que você ACHA que eles deveriam devolver. E será
bem feito: você fez o que quis, porque quis, então não venha reclamar
o troféu. Não existe para quem doa amor. Por isso, distanciar-se
deveria ser uma tarefa cotidiana, evitaria que fôssemos sugados pelo
redemoinho que sempre começa logo ali nos nossos pés, mas estamos
ocupados demais para ver. Evitaria que exercêssemos de forma tão
eficaz, e perigosamente despercebida, nossos piores defeitos.
Quando algo começar a te enlouquecer, enfernizar ou surtar, use a
técnica dos grandes admiradores de arte: recue diante da tela, mude de
ângulo em relação a ela, observe as cores, os traços e os detalhes
que, na correria, sempre passam despercebidos. Então notará que ela é
muito mais do que aquele ponto preto que ficava, insistente, diante
dos seus olhos.
Ser feliz, no final das contas, não é questão de sorte ou azar. É
questão de perspectiva.
Autor desconhecido