O tempo não espera. É feito de gotas.

sexta-feira, julho 30, 2004

 
:)

Voltei de Curitiba, fui pra fazenda, terminei meu quadro,passei meu niver e agora to indo pra Caldas... E  tenho prova quando eu chegar... e ainda tem o GO! ahuiauhiauhi
Pelo visto , net só daqui uns anos...
:D

Vou deixar uma música aqui que um amigo meu me deu pra ler a letra e eu achei legal!
Beijo neném (Volta logo)

UNDER PRESSURE

Pressure Pushing down on me
Pressing down on you
No man ask for
Under pressure
That burns a nuilding down
Splits a family in two
Puts people on streets
That´s OK
It´s the terror of knowing whta this world is about
Watching some good friends screaming 'let me out'
Pray tomorrow ,gets me higher
Pressure on people
People on streets
OK deeping around kick my brains around the floor these are the days it never rains but in pour people on streets people on streets
It´s the terror of knowing whta this worl is about watching some good friends screaming'let me out'
Pray tomorrow,makes me higher ,higher,higher Love,love,love,love insanity laughs under pressure we´re cracking
Why can´t we give ourselves one more chance?
why can´t you give love that one more chance?
Qhy can´t we give love,give love,give love,give love,give love.... Cause love such an old fashioned word and love dares you to care for the people on the edge of the night and love dares you to change our way of caring about ourselves this is our last dance this is our last dance
This is ourselves
Under pressure!

 

quarta-feira, julho 14, 2004

Amor Antigo

Ao Amor Antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
Não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
Mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
Feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
E por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
Aquilo que foi grande e deslumbrante,
O antigo amor, porém, nunca fenece
E a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
E resplandece no seu canto obscuro,
Tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, julho 09, 2004

.::[♥]:: Quero dizer que te amo ::[♥]::.
( Roberto Freire )

Quero dizer que te amo só de amor.
Sem idéias, palavras, pensamentos.
Quero dizer que te amo só de amor.
Com sentimentos, sentidos, emoções.
Quero curtir que te amo só de amor.
... O amor é tanto, não quanto.
Amar é enquanto, portanto. Ponto.

sexta-feira, julho 02, 2004

"Poema em Linha Direta"

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza

ÁLVARO DE CAMPOS

"Por Não Estarem Distraídos"

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas.
Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.'

CLARICE LISPECTOR